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O ano letivo está acabando! E o que temos a ver com isso?

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O ano letivo está acabando! E o que temos a ver com isso?

 

A resposta é: tudo! Educação é parte fundamental de qualquer sociabilidade e, numa sociedade tão desigual quanto a nossa, a educação cumpre com um papel primordial que é muito maior que o processo de ensino-aprendizagem de conhecimentos formais, vai além desempenhando um papel de acolhimento e socialização das crianças, adolescentes e até jovens e adultos, assim como é fonte de trabalho para milhares de pessoas: os agentes educacionais, professores e professoras.

 

É na escola que muitos pais, mães e responsáveis deixam seus filhos para poder trabalhar e cumprir com seus deveres cotidianos. Jovens que possuem ensino médio completo têm menos dificuldade de conseguirem uma vaga no mercado de trabalho. Muitos imigrantes encontram nas escolas a maneira de inserir-se profissionalmente e culturalmente na comunidade. Enfim, fica evidente não só a importância da escola, mas principalmente a importância da Escola Pública, afinal, é desta escola que famílias pobres e trabalhadoras dependem.

 

Com a pandemia do corona vírus, muitas coisas aconteceram nos bastidores e a educação no estado do Paraná vem sofrendo de diversas formas, o que a maioria da população desconhece. Primeiro que a resposta mais imediata das autoridades para educação na pandemia foi a implantação do ensino remoto (aulas via internet), processo que por si só é excludente, já que  a população mais vulnerável não possui os meios necessários para continuar estudando neste formato, causando a segregação e abandono dos estudantes mais necessitados. Em meados de outubro, de maneira autoritária, foi executado um projeto de lei que transforma centenas de escolas públicas em cívico-militares sem nenhuma discussão prévia e qualificada sobre o tema com as comunidades escolares. Por fim, a possibilidade de desemprego em massa de educadores e educadoras para o ano que vem devido a nova legislação para aprovação e classificação de professores temporários do Processo Seletivo Simplificado, o PSS, processo que até então era gratuito e garantia aos profissionais que lecionavam a mais tempo uma pontuação por isso. Agora a seleção será paga, a empresa responsável pela prova não passou por licitação e detalhe: a realização da prova será presencial ainda esse ano, o que colocará em risco a vida dos candidatos e dos fiscais.

 

Tudo isso ocasionou em uma movimentação de servidores da educação, que teve seu ápice em uma greve de fome que durou 8 dias, um jejum de mais de 170 horas realizado por 49 educadores que tinham o objetivo de chamar a atenção àquilo que nossa sociedade está ignorando, mas que é de muita importância. Impressiona o descaso, visto que neste cenário de crise sanitária, não há nada no horizonte político e social para melhorias estruturais nas escolas para o retorno presencial de alunos e alunas, professores e funcionários com segurança. A educação pública pede socorro! Juntos, devemos pensar a sociedade que queremos construir. Qual a educação queremos e precisamos? É necessário que voltemos nossos olhos à estas questões, pensemos nisso e, se a educação é um direito, é nosso dever defender a Escola Pública.

 

Nicolle Montalvão

                  Mestre em Ciências Sociais, professora da  Rede Estadual de Ensino do Estado do Paraná e professora da Escola de Cultura, Fé e Política da Cáritas Arquidiocesana de Maringá.

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